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26 December poema para a jigô (fiquei sem guito no tefoni...sorry)Fazer castelos com caramelos Peças de puzzles para juntar Com paciência, pela noite fora Manhã que chega para as arrumar. Velas tremendo ouro nas paredes Água com espuma, banho por tomar Leite quentinho, cheiro a chocolate Erva cidreira, dança a borbulhar Apago o lume, tapo com a tampa O cheiro limpo, chá a transpirar.
Momentos destes, tempo de harmonia É preciso saber escutar Estalam as folhas secas no caminho Tantas a cada passo de passar
Gosto do tempo que passo em silêncio E do ruído de ver conversar. Sono sereno, silêncio das casas E o reboliço, hora de acordar
Detalhe tonto, encontro a magia Na coisa pouca, ponteiro a rodar. poesia a um desconhecido de semprePela minha parte estou bastante cansada de esperar por ti, porque não espero de uma espera passiva. Espero esperando activamente disponível. Estou a ficar cansada porque me apareces nestas tantas pessoas, porque não percebo porque tens de vir partido. Eu agradeço cada bocadinho, palavra que sim, a generosidade ali, o encantamento acolá, a animação, a inteligência, a integridade, a criatividade, a espiritualidade, a emoção apurada. Tudo isso recebo de ti aos bocadinhos. Agora era a altura em que vinhas completo, com tudo isso para conseguires receber o tanto que tenho para oferecer. Não percebo este ensinamento embora intua que ele é simples. Uma simples ideia, desbloqueia-se o processo, as rodas começam a girar e lá nos encontramos nalgum canto de cidade para poder começar o que já começou há muito tempo. Agora eu só queria um bocado da energia e do entusiasmo que só a paixão trazem. A paixão de viver, de acreditar que nenhum lugar ou momento do mundo nos fariam mais felizes que este, de darmos de caras um com o outro quando já parecia não haver fé. Sozinha custa. E eu até sei que sabes isso e que estás neste momento algures no mesmo tipo de dilema, esperar por mim ou aceitar uma dessas ofertas mais fáceis que tens por aí. Eu se fosse a ti esperava. Eu tenho esperado. Agora é o momento em que as barreiras se desmoronam porque já não fazem sentido. Agora é o momento em que te vejo claramente. E tu a mim. Não há mais que esperar. É agora e vamos ter essa certeza. Claro que sim. Aparece lá então (Que a vida é em prosa, e não se faz em verso) poesia geocêntricaO mundo dizem, é arredondado Como de resto planetas e estrelas Azul e branco, verde, mar e nuvens Se é como as estrelas penso nisso ao vê-las
Que girar muito faz da forma bola Bola que ao longe é uma pintinha Que a natureza dessa estrela ao longe Faz dessa sorte, sorte como a minha
Três simples dias vive a borboleta Cada segundo vale-lhe anos então Que o mundo não se rege pela ampulheta Tempo, em rigor, sabe-o o coração
Talvez daí a subjectividade, Quem da varanda vê o mundo inteiro E em vez da glória de um planeta enorme Veja voraz um simples brigadeiro poesia a mim própria (também sou minha amiga..)Pensei no que tinhas para me dar Hoje já não preciso de o saber Defino-me pela mão que tem para dar Recebo pelo que essa mão fizer
A verdade da prosperidade é que se mede sempre em proporção inversamente à futilidade exponencialmente à minha paixão
Paixão de ser força e humanidade De ter para dar todo o meu valor De ser agente de amor e abrangência É fácil ter quando se dá calor. poema Élia GonçalvesSer mulher é ser puro engano Somos pessoas mais do que mulheres Mulher é género, útero, variedade Pessoa é gente dê por onde der.
Não sei como podem ver tanta diferença Mulheres e homens são uma passagem Sonhamos alto e erramos muito Somos carência, e aprendizagem
E se uns complicam e outros aligeiram Ser só é ser face ao seu confronto Por fora tudo são disparidades Por dentro tudo amor e medo e pronto. poema Sofia FrazoaSer pequenina e não caber É dor urbana, engano de fundo O mundo é caos, tanto por fazer O limpo não cabe no que é imundo.
E no entanto olho da janela E tem valor o gesto que faço O de abraçar esta terra inteira E ser palavra desse meu abraço
Ser pequenina e não caber É andar cega a essa evidência A célula aconchegada no seu tecido É o tecido na mais pura essência poema HumbertoUm amor bom segue a regra de ouro Nunca se perde, é transformação Se muda a música, o espaço e o tempo Há que deixar mudar o coração
Mas a verdade, que um amor bom esconde Está para lá da história contável Sofrer e ser sempre porto de abrigo Amar é só parte de ser amável
As cordas que seguram o amor São cordas para nos fazer sofrer Primeiro prendem-nos o pulso ao nada depois o nada põe tudo a perder
é que o que é grande não cabe em fronteiras não há limites para o que é amor fluxo imparável, generosidade fonte de vida, grandeza e calor.
E se hoje mudam as peças do jogo Mudemos nós, amor é adaptação Não há rancor onde não há medo Amor não é paz é transformação. poema MárioO que hoje é grande foi ontem pequeno Passada a noite sempre o sol virá Dança de roda, lição de alternância Ter o que damos dando a quem nos dá
Na natureza tudo se desloca Tudo é ponteiro de tempo a passar Metamorfose, sonho de lagarta A natureza sabe onde ensinar
E em silêncio o menino atento Assiste pasmo à transformação Voar não é só para os passarinhos Cor e leveza asas na amplidão
E se hoje choro, se hoje estou perdida Sei que amanhã é já o meu lugar Perdemos tudo para ter mais espaço Para o que de bom nos há-de chegar
Não adianta agarrar o tempo O tempo é sempre dono de ir embora É a matéria de irmos sempre sendo. A noite é mãe de cada nova aurora. poema Pedro FTomar as rédeas da alegria É ser sereno nesse não escolher Ser verdadeiro na disponibilidade De ser por bem tudo o que vier.
E desdenhar do que é pequenino Cegueira pobre de não saber ver É deitar fora o ouro mais divino Perder a vida por não merecer
As grandes dádivas são coisa pequena Passam-se os dias sem ninguém notar Mas gota a gota fez-se o vinho doce Saber viver é saber sonhar poema ThierryDo afecto sei que nem sempre é quente Sei que lhe dói o frio com que se magoa E volta e tenta e nunca desiste Porque a verdade do afecto é boa
O afecto sabe que a doçura vence Que as leis da vida sabem para onde vão Que as frutas verdes amadurecendo Chegam bem doces ao calor do Verão
E depois claro, novos Invernos Novas tristezas de curvar de dor As armadilhas da mediocridade O muro erguido por medo do amor
É na entrega que a força se eleva A força de ser gente de um mundo cão Essa coragem de estender sem medo O peito aberto em forma de mão
Do amor nem sei ao certo quase nada Maior que o tempo e que tudo o que sei Força motriz das razões da vida Dança de Deus, cor da alma, e lei poema2Agora é esse momento Mais do que o simples momento que é Agora é essa miscelânea de ontem Em mesclas do que apenas se prevê
É cansativo sermos tantos nossos Sempre este eu de tudo o que já fui Empoleirado nas costas do que é O eu de hoje em futuros que intui
Agora é apenas agora Um tempo solto que vale o momento Estão mortos todos estes eus antigos Liberdade é não ser o que tento
Se tento prendo-me na tentativa E já estou preso nesse eu forçado Ser o que somos chega a ser difícil Solto de enganos um eu libertado
Porque o passado já se foi embora E o futuro será o que for Este eu de hoje, sem todo esse peso É um eu simplesmente em meu redor. 8 November ReikiKi é, em japonês, como Chi em chinês, a energia vital, o sopro de vida latente em todas as formas vivas existentes.
A acumpuntura, o shiatsu e o tai-chi (entre outras), são artes e terapias que actuam, precisamente, sobre o Ki, promovendo o restabelecimento do seu fluxo e equilíbrio por pressão, por punção ou pela acção do prana (energia na atmosfera).
Ki é subtil e abrangente, diz respeito a todos os nossos aspectos e dimensões uma vez que a integração desses aspectos faz parte dos atributos de ki.
Por isso, quando estamos em desequilíbrio, sentimo-nos “desintegrar” e, tanto a nossa imunidade, como a nossa vitalidade e a nossa percepção da realidade, ressentem-se dessa descompensação. Rei é a fonte universal de vida, essa emanência energética comum a tudo o que é vivo, a matriz da qual os nossos sentidos só percebem a luz e o calor, mas que transcende os nossos sentidos, devolvendo-nos gradualmente a vida na própria matriz que a constitui.
O dia a dia exigente, o excesso de preocupações, a falta de calma e de harmonia, iniciam processos de desgaste e desequilíbrio que virão a somatizar e a criar-nos tensões acumuladas e problemas de relação com a vida e com as nossas emoções. Tudo está ligado. Em nós, tudo é a mesma coisa.
Reiki é como uma fusão com a fonte da vida.
:: Não tem efeitos secundários. :: E uma forma de relaxe profundo. :: Reforça o sistema de defesas do organismo, reduz o stress, conduz a um processo de auto-consciência e centragem. :: Reiki é uma forma de limpeza e desintoxicação física, emocional e energética. :: Facilita processos de cicatrização. :: Recomendado para ajudar a conpensar medicações agressivas para o organismo 16 May Veet Pramad e Deva ManiO Curso do Veet Pramad decorre e o primeiro fim de semana esticou. Muitas horas de trabalho e vamos na sexta de 22 cartas faltando ainda as restantes 56 dos arcanos menores que são programa do primeiro módulo. E esticou porquê? Porque leva tempo. A carta é projectada na parede ao som de uma música relacionada e olhamos para ela ao som da música para sentirmos o que ela nos trás, o que nos faz sentir, o sentimento ou emoção. Não se trata de falar de significados dela, trata-se de dizer o que ela nos faz sentir, é o reconhecimento do arquétipo em nós. Depois vem toda a informação sobre a carta, parecido com o conteúdo do livro "curso de tarot terapeutico" e mais uns bitates e umas relações. O Veet Pramad fala também do significado da carta em cada posição da cruz celta pelaleitura que ele faz e que é bastante diferente das outras leituras por recusar a ideia da adivinhação. As posições são: 1 e 2 momento actual, 3 âncora (programação mental bloqueante), 4 é o método de resolução, 5 o caminho de crescimento 6 o resultado interno desse caminho, 7 a necessidade mais premente expressa pelo eu mais profundo e mais sábio, 8 os relacionamentos, 9 a infância no que toca a origem do bloqueio, 10 o resultado externo. Claro que a ordem da leitura não é feita pela ordem das posições da carta e sim pela seguinte sequência: 1+2; 3; 9, 8, 7, 5, 6 e 10. Partindo-se assim das dificuldade para a origem dessa dificuldade e só depois para os caminhos de resolução dessa dificuldade com um cheirinho do que podemos ser quando tivermos conseguido ultrapassar esse bloqueio. De certa forma parece haver aqui uma adivinhação do passado, em lugar de uma adivinhação do futuro, mas se o consulente se identifica e se aquele caminho lhe der força e esperança está tudo óptimo. Às vezes precisamos de um empurrão mágico e não á porque não aceitar um bocadinho de encantamento nestas nossas vidinhas tão pouco brilhantes, por vezes. A vivência física e emocional de cada carta com os exercícios e meditações orientadas pelo Veet e a Deva Mani ( companheira dele, psicóloga bio-energética) são muito fortes em cada uma de nós e eu já tomei decisões só na consequência do lado terapeutico que este curso também tem, (como nos bons tempos do grupo de desenvolvimento pessoal orientado pela Vera Faria). O segundo módulo serão lançamentos e mais lançamentos para ver se a coisa entra. Que bem que tudo isto me está a fazer.
12 May O magoO mago é pura energia yang, energia de arranque, de começo de impulso para. O mago gosta de iniciar, de lançar o primeiro alicerce, a primeira viga. Dar o primeiro passo, subir a primeira escada. Junto dele estão as suas ferramentas, os naipes dos arcanos menores as copas das emoções, os paus da energia, as espadas do mundo mental e os ouros da materialização de tudo isso, da materialização dos sonhos, dos projectos, dos afectos . Estes são os ingredientes da alquimia do mago, a alquimia da vida: o que sentimos, pensamos e expressamos; são os ingredientes do mago e ele usa-os na exacta proporção, ele quer ver funcionar novos mecanismos, novas organismos, novas formas de estar. O mago pode ser arrogante, pode deixar de conseguir ouvir sobre a sabedoria dos outros por estar completamente confiante na sua própria. Como um adolescente ele pode ser voluntarioso, generoso e altamente implementador mas fechar-se à experiência dos outros numa atitude de defesa eventualmente desmesurada. O mago sabe sobretudo comunicar. Ele usa e deve usar desse talento a bem dos seus objectivos. A carta pode incentivar ao uso dessa habilidade, pode sugerir actividades baseadas ou sugerir que algo se resolva por intermédio do diálogo, da comunicação. Ele é mental, racional, ar, energia de ideias e da sua expressão. 7 May Moderninhos só para o que convémTenho de avisar a quem estranhar as minhas ausências que acabo de rescindir do meu contracto com a PT o que implica o meu sapo ADSL, ou seja vou deixar de ter net. Isto significa que decidi um bocado mais de parcimónia na minha vida, mais disciplina nos meus tempos de estudo e tempos com a casa e também um bocado de vergonha na cara. Claro que vou todas as vezes que se revelarem necessárias à casa da mãe, uma rua acima, usar a net cabo que ela lá tem. O que significa que posso continuar a angariar cobaias por agum tempo (excepto periodo de 14 de Maio a 05 de Junho) por causa do curso do Veet Pramad. Obrigado a quem me tem feito tanta companhia. O mail continua ON, os telefones móveis também. É mesmo só este conjunto de fios de cobre ligados a uma antena que me anda a saír caro e sobretudo caro a uma forma de ver as coisas que convive mal com a desumanização das pessoas e das especificidades de cada caso. 30 April A ImperatrizAlimento, colo, morno, energia, posses, afecto, entrega, maternidade, todos estes são atributos da imperatriz. A Imperatriz é a boa mãe, é quem providencia o afecto que os outros precisam e ela só pode fazê-lo nutrindo-se a si também com os sentimentos mais enriquecedores da natureza humana e transcendente que a compõem. Se perguntamos por afecto a imperatriz diz que o teremos, se perguntamos por prosperidade a imperatriz diz que o teremos e o resto do lançamento indica-nos como e porquê, porque a imperatriz também construiu tudo o que tem com a sua experiencia de uma vida rica em momentos, vivências, lutas e desilusões; até formar em si um pacote coeso de boas certezas e e de beleza que a tornaram nesse ser disponível, colorido e doce. Com o seu vestido estampado de doces morangos e o seu trono na natureza a imperatriz tem o desejado regaço, a sua coroa cheia de estrelas mostra-nos que temos de ser positivos, temos que acreditar, investir e dar. Ela também o fará por nós. Num lançamento e consoante a pergunta, o aspecto menos positivo da imperatriz pode prender-se à falta de receptividade e falta de capacidade de dar, à incapacidade de estar disponível e é preciso ver, (mesmo quando ela não sai invertida), qual é o desfecho e o "outro lado", porque amor há muito quem queira, não precisamos de o desperdiçar em quem se fechou para se abrir para outro lado qualquer ou para si, sem porta nem janela por onde o melhor que temos possa entrar. Se tal não é o caso a imperatriz fala de prosperidade entendida como a única e verdadeira: aquela que nos dá, na justa medida, tudo o que sabemos receber avaliado por tudo o que sabemos dar. Num sentido de auto-conhecimento e auto-cura a imperatriz sugere que o consulente se trate a si próprio como uma mãe, nutrindo-se de actividades e gestos agradáveis. Tomar conta de si, proporcionar-se qualidade de vida nos seus momentos, dar-se afecto, dar-se aconchego. Ter atenção ao corpo, respeitar a sua linguagem em lugar de a silênciar. Aproveitar o que o corpo tem de abençoado e abençoá-lo ainda mais com cuidados e mimos.
A PapisaA imagem da sacerdotiza está profanada por muitos séculos de papado apostólico romano que considerou as mulheres indignas de seguir os passos de S. Pedro e de um Vaticano claramente (e de certa forma paradoxalmente) yang. A Sacerdotiza remete-nos para outras identidades religiosas, para outros respeitos ancestrais pelo elemento feminino e para uma forma de conhecimento intuitivo a anos luz do século de todas as evidências científicas. A papisa, ou sacerdotiza, é uma figura imponente, sentada num trono nocturno de ligação a um conhecimento interior, ligado ainda ao inconsciente, ao consciente e ao supraconsciente como todos num só. Ela tem uma lua sobre a cabeça e outra debaixo do seu pé esquerdo porque venceu as provas do conhecimento oculto. O que está oculto (mas não para a sacerdotiza) também é conquista do papa mas a papisa está menos consciente do total dos seus conhecimentos porque lhes acede quando é necessário por mera intuição e experiência de tempo de vida e muita prova vencida.(João Caldeira - Interdinâmica) Num prisma positivo a papisa é uma figura de sabedoria plena, de vivência interior rica, de integração razoável dos valores nocturnos e de bondade. Ela é construtiva, ensina, ajuda, acolhe, ela sabe o que fazer, ela sabe o certo e o errado como ferramentas da mesma arte. Os aspectos negativos da papisa têm a ver com os do papa. Se deixarmos, ela pode cristalizar, ficar parada no tempo, pode ser desconfiada e resistente a todas as mudanças e riscos. A precaução é uma coisa boa mas não nos pode estagnar, o caminho é para a frente e não se faz parado. A papisa pode esquecer-se disso e há que tentar perceber bem em que se fundamentam os seus receios. Se num passado que já passou ou num futuro que ela antevê. Porque podem dar-se os dois casos. A papisa não fecha portas, não diz não, ela é agradável e serena. Mas é uma criatura que se move no tempo lento de toda as formas de sabedoria. Ela virá sempre dizer que precisa de algum tempo de análise. Ela quererá sempre validar as coisas pela prova de resistência ao tempo. "Digo talvez sim com um sorriso, mas acrescento: Não para já..." Numa vertente de auto-conhecimento e auto-ajuda a papisa remete para a sabedoria interior yin e profundamente conhecedora de verdades ocultas à nossa superficialidade mas à qual podemos aceder por fazer parte de nós. A sacerdotiza pede silêncio interior e uma viagem à nossa interioridade menos poluída a qual nos pode levar ao interior dos nossos sonhos e dos nossos medos sempre com a mesma segurança. (a imagem Iarc03.jpg está por engano, é a imperatriz e não a papisa) A TemperançaA temperança é, de forma linear, um bom agoiro. Na generalidade dos baralhos desenvolvidos no ocidente esta carta mostra-nos um anjo iluminado, com asas vermelhas de fogo e trajes brancos de pureza. O anjo tem um pé na água das emoções e outro na terra da materialidade. Parece despejar água de uma taça ou jarra para outra mas essa água não cai na vertical porque não é líquido, não tem peso, é electricidade (energia). Ele sabe manejar energias e sabe que toda a alquimia da vida passa por aí. Sobre o chakra do coração este ser de expressão serena tem um quadrado dentro do qual está um triângulo, do mental e o espiritual integrados numa visão superior, por isso ele tem o terceiro olho desperto iluninando-lhe a testa. Ao fundo o sol renasce depois das experiências que fizeram crescer e podemos ver um arco-íris do espectro de cores que o branco concentra. A temperança fala deste equilíbrio e de todas as beneces que dele se obtém. Fala da qualidade dos homens que percebem as polaridades de todas as coisas, que sabem que nada existe sem o seu avesso. Que as noites sucedem os dias, que a chuva sucede o sol, mas mais ainda sobre a luz e a sombra que coabitam, sobre a união que é expansão, a liberdade que é raíz ao tempo, o sólido e o fluído e sobre tantos opostos que integramos. Com a temperança não existe euforia mas existe a consciência solar dos bons propósitos, dos bons momentos e das boas inclinações. As decisões tomadas com base na temperança integram a decisão mental da carta da justiça com a decisão afectiva da carta dos enamorados. Integração e expansão são as polaridades que melhor sintetizam a valia desta carta tão sublime. Consoante a pergunta esta carta fala de decidir de forma equilibrada, nem demasiado mental nem demasiado emocional, fala de momentos de equilíbrio, de bem estar, conforto e integração. Pode falar de viagens se a pergunta o referir, pode falar de boas relações. Num aspecto negativo esta carta pode surgir invertida avisando da falta de tudo o que a sua mensagem trás, nesse caso o consulente pode estar a padecer da falta de todas estas noções de temperança e nesse caso tem de se analisar todo o lançamento para procurar as pistas para o balancear da fragilidade de dimensionamentos relativos despropositados que trazem sofrimento. Em todos os outros casos não existem aspectos negativos no equilíbrio porque este os equilibra. E desta consideração tranquilizadora concluímos que com a temperança podemos esperar a maturidade plena de um bem estar assente em sabedorias para lá da compreensão meramente racional. Numa leitura de auto-conhecimento a temperança, chamada de Arte por Aleister Crowley, é a carta que nos incentiva a fazer com amor o que quer que as nossas verdadeiras inclinações nos levem a sonhar fazer.Deixar a rotina esgotante e o desprazer de fazer meras obrigações ano após ano e encontrar o que queremos deixar ao mundo de melhor por nos vir de dentro, por surgir do nosso amor. Deixar fluir, deixar acontecer com receptividade e sensibilidade também é uma aprendizagem desta carta.
A EstrelaA relação entre os homens e as estrelas vem literalmente da noite dos tempos e sempre foi uma relação de mistério e encantamento na escuridão. De dia temos uma grande estrela que nos permite ver bem o caminho, de noite temos muitas estrelas e algumas tão familiares que as chamamos pelos nomes dos heróis que a história foi conhecendo, Deuses, e constelações como famílias de desenhos a brilhar no céu de todas as noites. Quando a terra era o centro do universo, o universo era mais pequeno. As estrelas percorriam caminhos que começaram a ser conhecido e estabeleceram-se padrões que tornaram certas estrelas nos guias dos homens em desafio aos elementos; por toda essa terra plana e cujos limites eram guardados por seres horrendos que ninguém quereria encontrar. As estrelas levaram os homens às conclusões mais fantásticas, as estrelas foram as nossas guias na descoberta do universo gigantesco, do movimento das órbitas dos planetas em torno do sol, de tantas luas, planetas com aneis, manchas, cometas e nebulosas cinematográficas. Tudo na noite, tudo quando a terra está às escuras mas, da nossa consciência microscópica e macroscópica, podemos intuir que no universo a luz é sempre a mesma, sempre bela e sempre misteriosa nas dimensões infinitas do que há ainda por compreender. A estrela no tarot é um sinal da mesma intuição e optimismo que leva os pioneiros que somos nos nossos próprios caminhos a cada momento. Tudo está ainda na forma embrionária da nossa estoica vontade de ultrapassar limites, tudo está ainda mergulhado na luz da noite, mas há magia, há um sentimento de uma estranha convicção de capacidade que submerge e nos impulsiona a continuar a acreditar. Talvez leve algum tempo, talvez seja necessário preserverar, ou talvez seja apenas necessário ser um pouco paciente, mas a estrela guia-nos os passos e a vontade levamo-la nós. O solPara lá de toda a vida, energia e colorido inerentes ao sol, para lá da fotossíntese, da génese de toda a existência como a conhecemos, o sol é um instrumento de consciência. Na astrologia o sol é o corpo celeste da nossa consciência de nós próprios por oposição à lua que envolve aspectos nossos aos quais dificilmente acedemos mas que ainda assim nos condicionam profundamente levando-nos a mil atitudes, sensações e impulsos que não podemos, racionalmente compreender. Sempre que tomamos consciência de algo em nós, deixámos o sol envolver mais uma parte do nosso lado lunar e expandimos os nossos horizontes exteriores e interiores. Ser alegre, feliz não decorre apenas da sorte nos trazer de tudo o que é fácil e bom, é necessária a nossa vivência consciente dessa alegria. Por isso tantas vezes nos damos conta de que estávamos felizes quando, subitamente, não estamos. o sol do tarot concentra a felicidade de algo que queremos ver concretizado e também esse conceito de vivência consciente dos nossos processos, momentos e estados de espírito. A luz cria a sombra. o lado escuro está sempre presente algures e é necessário reter que tudo está sempre a mudar, tudo nos leva daqui para ali e o desafio é permanente. Não há um sol para sempre. Há sol e sombra e é sábio conviver com o contraste gerador de todas as formas e volumetrias que podemos apreender da tridimensionalidade da matéria. Quando sai o sol num lançamento podemos esperar momentos bons. Dependendo da pergunta esta carta trás calor, luz, expansão, sorte, simplicidade nos processos e à partida tudo corre bem, tudo está a ser abençoado pelo tempo e vale a pena seguir. A única possibilidade do sol surgir num aspecto negativo, é num lançamento em que se permitam cartas invertidas e nesse caso o sol falta. Falta a felicidade, falta a consciência e falta a luz no momento ao qual a carta corresponde. Nada existe de negativo no sol, apenas a sua inexistência pode ser triste. Mas, nesse caso, o lançamento certamente dará as pistas sobre como devolver à vida a luz, o oxigénio e as razões para evoluir como ser amplo e solar. Numa vertente de auto-conhecimento e auto-ajuda o sol sugere que procuremos libertar-nos de todos os aspectosem que a nossa vida perde autonomia centrando-se na experiência dos outros.
23 April O carroTerminado o tempo de descanso e de glória na sua cidade natal, o herói sabe que ganhou uma batalha mas não a guerra. Ele sabe que terá de voltar a enfrentar perigos e sente que esse momento chgou. Deixando a cidade onde é querido para trás, ele avança no seu carro rumo a novos riscos, novos desafios, novos desconhecidos. Puxando o carro correm dois cavalos, um preto e um branco, seguindo o branco a direito enquanto o cavalo preto se dispersa e perturba correndo mas puxando o carro com algum desatino. A grande variedade de baralhos que existe actualmente permite que eles se complementem nas suas simbologias e o tarot como fenómeno fica a ganhar com essa crescente multiplicidade. Assim em alguns baralhos esses cavalos não têm 4 patas mas duas à frente e um corpo de figura mitológica com grandes caudas de dragão. São figuras marítimas que puxam o carro sobre as águas da emoção. Neste como noutros baralhos, se repararmos bem não é o homem que segura as rédeas do cavalo, são os cavalos que levam o carro na direcção da sua correria. Na carta como nos sonhos, tudo somos nós, os diversos aspectos da nossa identificação com essa energia. O cavalo branco é o nosso sentido ordeiro, que segue em frente sem questionar. O cavalo preto é veloz mas dispende demasiada energia no seu degladiar e na sua tendência para alterar a direcção do inevitável, perdendo-se em busca de alternativas de direção, dispersando-se do sentido. Consoante a pergunta, o lençamento e a posição nesse lançamento, o carro fala de movimento, de acção, de avanço, coragem, de uma nova etápa que se inicia. Ou pode alertar quanto a dispendios desnecessários e contraproducentes de energia. É uma carta yang. Uma carta que não deixa esperar nem ficar parado. Não permite acomodamentos nem está em situação de se pôr a questionar. O herói já está no carro e predispôs-se a avançar. Numa perspectiva de ato-conhecimento e auto-ajuda a lição do carro é a do desapego. O desapego tem duas abordagens possíveis: Pode querer dizer que deve deitar-se ao lixo o que já não serve, as emoções residuais, as relações, actividades, objectos e atitudes que apenas complexificam os nossos dias com o seu peso sem qualquer utilidade evolutiva e do conforto necessário. Mas pode também querer dizer que desapego não é apenas uma lição de desimportância das coisas e sim da importância do agora. Amamos e entregamo-nos a emoções e tarefas pelo agora e temos de lhes dar importância sem a obrigação do "para sempre". Virtualmente nada é "para sempre" e esse não é o melhor motivo para o investimento. Não estamos no passado, podemos deitá-lo fora e não estamos no futuro, não nos devemos pre-ocupar. É no presente que está tudo e o apego ao momento é tão salutar quanto o desapego ao fim desse momento para que possamos verdadeiramente apegarmo-nos ao novo momento que a evolução nos trouxer. 22 April O pendurado"Viva quem luta com a cabeça ao contrário/p'ra ver também um pouco do lado do adversário/do lado contrário" canta o Sérgio Godinho numa das suas cantigas tão boas de cantar. É isto que faz o pendurado, quer tenha consciência disto quer não. O pendurado não é um enforcado, ele não enfrenta a forca, a morte e o castigo por algo. O pendurado está pendurado por um pé e está assim, sózinho o tempo necessário. Pendurados irrigamos o cérebro, promovemos a circulação sanguínea, e temos a experiência de ver de outra forma o que nos habituámos a considerar sempre igual. É um bom exercício das aulas de desenho desenharmos algo que estamos habituados a ver de uma determinada forma, numa posição completamente diferente. É surpreendente a dificuldade de desenhar ao contrário a cadeira que sempre desenhámos em pé. Na nossa cabeça está gravada uma cadeira que podemos desenhar mesmo que não tenhamos nenhuma em frente. Desenhamos 4 pernas, um assento, umas costas e essa cadeira assume a síntese das muitas cadeiras que vimos sempre na mesma posição. Este hábito que proporciona uma capacidade revela-se uma dificuldade quando queremos ser minuciosos numa cadeira com proporções específicas numa posição específica porque o cérebro resvala para os seus padrões e, teimosamente, as mãos insistem em desenhar a nossa velha cadeira de memória. Na vida também é assim. Concebemos as coisas de uma determinada forma apenas porque nos habituámos a ve-las dessa forma; porque nos passaram a ideia de que era a forma correcta, porque nunca foi preciso pensar sobre isso, porque dentro do nosso contexto essa forma gerava um todo coerente. O pendurado é a carta de quem é sujeito a um tempo de dificuldade, de privações, de provações, de peso em demasia das cargas da vida; e que se resolve no momento em que, pendurada, a pessoa consegue subitamente ver as coisas de um prisma novo. São momentos normalmente longos no tempo, porque leva tempo a desabituarmo-nos dos nossos padrões de pensamento, das nossas convicções equívocas sobre nós, sobre os outros, sobre os mecanismos que gerem e geram a complexidade do que vivemos. O desafio e a proposta da energia do pendurado é essa: "Leva o tempo que fôr preciso, mas não saias desse processo sem perceberes o que tens estado a ver de forma errada." A carta do pendurado é uma carta difícil. Distingue-se do eremita na medida em que o eremita decide pensar sem pressões externas, sem a confusão das realidades de todos os outros e mergulha na sua própria realidade. O pendurado normalmente não tem consciência do processo de transformação interna, tem sobretudo a noção dos sacrifícios, ou da penalização que sente, por isso o pendurado tende a atribuir a responsabilidade pelos seus desconfortos ao mundo à sua volta e não a si próprio. Quando algo está mal na nossa vida sentimos esse conjunto complexo de dificuldades como algo imposto pela vida, ou por determinado(s) indivíduo(s). A causa do nosso desconforto está fora. Lidamos portanto com o desconforto como um desafio ao nosso poder de controlar os factores externos que nos afectam. Claro que essa luta é irrealista e desigual. Não temos hipótese de controlar as variáveis caóticas de tudo o que nos pode suceder. A única coisa a fazer quando nos surge uma carta de pendurado é tentar ver, como num jogo de espelhos, que parte de nós nos trouxe até ali, que parte de nós se identifica com aquela situação, com aquela pessoa que nos magoa, que parte de nós precisa que olhemos para ela com um novo olhar. Em alguns baralhos o pendurado tem uma aura de luz em volta da cabeça. Sugere que este tempo de penúria e precaridade pode iluminar-nos se expandir a nossa consciência na síntese dos opostos. Pede-se ao pendurado que seja transparente consigo próprio, sem mais defesas nem orgulhos. Pede-se um esforço de auto análise e análise do exterior com imparcialidade e compaixão. O pendurado deixará de o ser quando, para lá de transparente ele fôr translúcido, deixar passar a luz e inundar de novas noções o que antes o oprimia. Num prisma de auto-conhecimento e auto-ajuda a carta do pendurado sugere que se valorize em lugar de procurar suprimir e esquecer o lado inconsciente e intuitivo que nos habita nas profundezas e onde por vezes só a papisa acede. Esta carta entusiasma-nos a usar desse recurso, ouvir o interior e basear os nossos ideiais e força motriz nessa voz tantas vezes silênciada que é a do nosso interior oculto, inconsciente ou o que lhe queiramos chamar na ideia de que o mesmo lugar onde estão os nossos pesadelos possam também estar algumas respostas para que eles nunca mais o sejam e a nossa existência ganhe um novo significado mais autêntico e "sintonizado".
A justiça ou ajustamentoA justiça (em abstracto) liga-se com os conceitos de merecimento e culpa. O que é justo é merecido, seja bom ou seja mau. A justiça só funciona se fôr nobre, mental e equilibrada no avaliar das situações. É disso que a carta da justiça fala nos diversos baralhos. A culpa e o merecimento não cabem no baralho do tarot, não há lugar para esses conceitos. O certo e o errado são valores subjectivos e ligados ao livre arbítrio com o qual o tarot não colide nem interfere. No tarot existem caminhos. Cada carta corresponde a uma energia e não existem más energias, existem energias difíceis e energias agradáveis, mas todas são importantes e necessárias; todas são parte do percurso que o louco vai decidindo fazer fazendo apelo à identificação com os arquétipos que cada lançamento projecta de nós. A justiça é uma carta de bom senso, de desenvolvimento mental de um raciocínio, sem as arbitrariedades que enriquecem as emoções mas entorpecem as decisões da justiça. Consoante a posição dentro do lançamento e também o conjunto das outras cartas do lançamento; a justiça indica que o consulente precisa de usar de razão e usar o seu lado mais cerebral em detrimento do seu lado emocional, ou pode indicar que o consulente tem sido demasiado cerebral e precisa agora de deixar entrar algum caos emocional na sua vida para aprender a gerir esse seu lado evitando cristalizar na forma cega da figura da carta que normalmente venda os olhos para ser imparcial. Assim, se as perguntas se referem a casos que envolvam papeis e a justiça sai numa boa posição podemos ficar óptimistas. Mas se a pergunta diz respeito a alguém cuja amorosidade gostávamos de ter, podemos caír numa situação de algum frio emocional. Numa visão de auto-conhecimento ou auto-ajuda esta carta fala do encontro com o equilíbrio, com a necessidade de encontrar esse equilíbrio não forçando a realidade e a nossa natureza ao que nos parece equilibrado e sim sentir na vida aquilo a que precisamos de nos ir ajustando como todos os seres fazem sem conceitos de certo errado nem de justiça e sim de adaptação ao que existe com flexibilidade e sem perder a verticalidade da nossa essência. 21 April A LuaA lua é um corpo celeste cheio de mistério como a própria noite o é. É um corpo celeste poderoso no seu magnetismo, na sua energia e na sua lição de ciclos e alternâncias. Em astrologia a lua deixa-nos submersos no mesmo tipo de inquietude de que fala a carta do tarot, mas enquanto no mapa natal essa lua diz respeito à posição da lua no momento em que respirámos a primeira vez e portanto é uma energia que nos acompanha todo o tempo necessário até a identificarmos e solarizarmos (o que pode levar a vida inteira ou até nunca suceder se a pessoa vive fugindo do seu vazio e enchendo-o com brilhos externos); no tarot a lua diz respeito a um momento, ao momento referido na leitura, é uma circunstância, um sentimento. A lua do tarot fala de uma intranquilidade surda, de um desconforto latente ainda sem uma forma definida mas ainda assim materializada na sensação de algo ter fugido ao controle e não se saber porquê, nem como. A lua tem esse lado enganador, pensamos que tem luz, prendemo-nos a equívocos, quando a luz vem de outro lado. É um jogo de espelhos aquele a que a lua nos subjoga. Nunca sabemos bem se o que estamos a ver é o que estamos a ver. A lua é uma carta de medos inconfessados, de vontades de não ver, de intranquilidades que precedem um facto em si, muito tempo antes da mente poder inteligir a dificuldade que o interior já intuiu. Quando a lua sai numa leitura alguém está a deixar-se levar na corrente sem tomar medidas por não ter ainda conseguido "compôr o quadro". Porque se está ainda preso a qualquer ideia errada que não joga bem com tudo o resto. É uma carta de fragilidade, fala de medo, fala de alguma infantilidade, de instinto de sobrevivência num nível muito básico fora do domínio da razão e da vontade. As mães preocupadas com os seus filhos adolescentes recebem muitas luas. As pessoas com desconfortos no trabalho mas que não sabem bem o que fazer nem o que está verdadeiramente mal recebem muitas luas. A lua descreve a sensação de alguém que pressente a infidelidade do outro, a traição do outro, a mudança do outro. A lua também está presente em quem se sente mal na sua pele mas não consegue identificar a razão. No mapa astral o signo onde a lua se encontra, bem como a casa, dão indicações sobre padrões de dificuldade do consulente a um nível profundo. Todos temos uma lua por resolver, um saturno por resolver. A carta da lua fala de alguém que tem de fazer um esforço para acreditar que as respostas estarão á vista em tempo certo e que há que procurar dentro de todas as pistas da realidade do momento o porquê desse tempo certo não ter ainda chegado. "Estaremos mesmo a querer ver o que queremos ver?", "Estaremos subjogados pelo medo?"
20 April O DiaboO tarot, que terá surgido, segundo se pensa no Egipto, pelo menos os 22 arcanos maiores correspondentes às letras do alfabeto hebraico e as seus significados dentro da cabala; foi sofrendo transformações e influências marcadas pelos conceitos de magia e espiritualidade de cada tempo histórico. A verdade é que não se sabe quando nasceu. Mas, o que é facto é que a religião cristã foi um marco incontornável dentro dos baralhos feitos na Europa desde o século XIV, que embora pagãos, faziam parte de uma cultura, de uma simbologia que todos podiam compreender e de um conjunto de arquétipos comuns (passe a redundância - os arquétipos são, por definição, comuns). No baralho Feng Shui, o diabo é substituido pela imagem do materialista. Este materialista não é apenas alguém que dá muita importância ao consumo, o problema deste materialista é excesso de identificação com a matéria. E matéria é tudo o que vemos materializado. Os sentimentos materializados são as relações. Os sonhos concretizados são matéria. O materialista identifica-se com essas concretizações de tal forma que tem medo de as perder porque confunde a sua identidade com o seu contexto. As correntes que nos prendem ao diabo são feitas do nosso medo de as quebrar. A duvida que subsiste do que estará para lá da liberdade. Ser livre envolve responsabilidade, envolve ter de escolher, ter de criar novas realidades por nossa conta e risco. A aparente segurança com que este diabo nos engana e aprisiona também nos sufoca e reduz. Deixa-nos muito aquém da nossa essência e do nosso projecto individual de vida. Quando é que estamos sob a alçada do diabo? Quando uma criança cresce numa casa onde as regras são castradoras e a super protecção inibe a capacidade de arriscar e de errar para aprender, ela passa a viver com medo da vida e a desconfiar da sua capacidade de tomar boas decisões, não confia na sua espontaneidade e segue um projecto que a família aprova. Tira o curso certo, inicia a carreira certa, casa com a mulher certa e uma manhã acorda a pensar que gostava tanto de ser outra pessoa, noutro sítio, com outras pessoas, outra agenda para esse dia. Mas então ele pensa nas obrigações, nas responsabilidades com que se comprometeu, sente que não tem saída e volta a mergulhar na sua vidinha programada, insatisfatória e progressivamente mais implacável. Quando uma mulher se casou com o seu homem de sonho e tudo correu bem, e vieram filhinhos, cada um mais lindo que o outro e o seu homem progrediu na carreira, e socialmente o casal tem o seu nicho de conforto; até ao dia em que ela se dá conta de que o homem progride, realiza-se e afasta-se para esse mundo só seu sem deixar nada a não ser a sua gama de exigências. Ele mantém-na com bons padrões financeiros e sociais, mas não mima as crianças, mal as vê, não olha para ela, não se interessa pelos seus projectos, encara-os como ninharias face às suas responsabilidades. Esta mulher vê o seu palácio com outros olhos, de repente sente-se enclausurada, tem que fazer jantares e conversa de sala para os amigos do marido, tem de o incentivar na vida enquanto a sua própria vida parou há muito tempo atrás quando em vez de progredir estagnou. A situação torna-se sufocante, tudo a impele a saír, a agarrar nas crianças e iniciar uma vida nova mas... e depois? Será que consegue? Será que não se arrepende? E o que dirão os amigos? E os filhos? Terão de passar por coisas injustas? Então ela suspira e decide que não tem outro remédio senão abdicar da sua vida em detrimento das vidas dos outros. Quando estas situações sucedem Urano está lá a dizer-lhes: Corre o risco que eu empurro-te com o meu fluxo energético para a vida que te corresponde, para o que é justo para ti. Esta vida mata-te porque mata a tua essência. Tu não és os outros, não és as tuas obrigações, não és a mulher de X ou o filho de Y. Tu és tu. Vieste ao mundo com um projecto, tens um caminho só teu, precioso e insubstituível. Se abdicas dele podes morrer porque não dás o devido valor à vida que te deram, ao milagre de seres tu. Existe algo maior que isto que sentes e tu sabes disso, por isso algo em ti anda tão inquieto. O diabo é um mestre da ilusão, ilude-nos, enche-nos de velhos equívocos, de convicções que fomos arranjar sabe-se lá onde sobre o que somos e sobre o nosso papel na existência. O diabo ameaça-nos com os nossos medos secretos, os nossos instintos de defesa, a nossa não liberdade. Promete-nos asas mas depois só nos deixa voar no escuro. É melhor caminhar na alvorada do que voar na noite, sempre, escuridão após escuridão quando nós somos seres da luz, capazes de ver um espectro de cores tão rico, precisamos de luz, de sol, de ver mais longe. Quando o diabo surge numa leitura nós já percebemos que algo nos oprime, ou que algo não passou de uma ilusão, ou que algo em nós está a funcionar de forma meramente primária e instintiva, sem inteligência nem nenhum sentimento mais elevado. A solução com os assuntos do diabo é soltar, largar, não ter medo, não evitar ver o evidente. A solução é perceber o que em nós nos está a limitar e decidir mudar isso nesse preciso momento. Do ponto de vista da terapia o diabo é a inaceitação do nosso instinto como algo vital e poderoso, inteligente e que de resto nos permite sobreviver. Quem rejeita partes suas e decide que na sua natureza algumas coisas são do céu e outras do inferno, ou se sem estigmas culturais ainda assim não vivencia aspectos da sua ligação às forças da terra como a sua natureza física e instintiva como depósito de intuições e inteligência primordial; tenta viver como um homemzinho ou uma mulherzinha mas sem vida dentro e, pervertendo o que não tinha na origem qualquer mácula. Sentir o corpo como algo abençoado e sentir respeito por essa vivência corpória, da digestão à respiração, do suor à lágrima, cada orgão, cada função, cada fluido; é a lição terapeutica do diabo. |
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